
Respira, pequeno, respira. Estas malditas vísceras que não me largam o paladar. Há aqui. Há ali.
Roem o que integralmente fazemos por pensar. Que não é deste mundo. Não é deste mundo, tudo o que acabamos por pensar. É,
onírico e falso. Controverso o verso e o reverso. O fumo do silêncio e da penumbra, da pena e do medo. Com aquele valoroso e bolorento sabor a mel. Fel dos meus sentidos. Dos meus, também teus. Corre, pequeno, corre. Sente o choro estendido no entendimento, procurando o que foi salvo, sabendo que não existe o que tanto foi. Foi pra casa. A regra de todos os mártires vem lá, no núcleo dos amores. Bem perene e presente. Vou clamar por ela, como se anseia pelo,
elixir. Sem garrafa e modelo. Aquele que todos querem, aquele que todos procuram. Tic Tac, lá vem ele, rangendo os dentes. Tac Tic, sorri e ri. Que...brilhante, o brilho. Já não é nem se sente, mas parece ainda o mesmo que tantas vezes se prostrava entre os nossos corpos. Entre o suor e a sede. Se te fores, ao menos olha para trás. Ao menos,
pelo menos. Até aquele dia em que eu sobrevivi. Quando um eram mais, e a tabuada da vida fazia o sentido do odor que paira nas raízes da terra. Ainda assim te digo, meu querido.
Lambe as feridas, pequeno, lambe-as. Afaga-as com o teu bafo e sente a reviravolta do sangue. E sente a carne que não apodrece, dando lugar à eternidade e,
ao belo.