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segunda-feira, dezembro 06, 2010

Pensaram um dia, uma memória.

Esta é aquela palavra em que nos sentimos confortáveis. Quando toco na tua falta e o ar eléctrico povoa a nossa sede de amor. Toco no teu desconforto eo que sinto é um rosto adolescente em que te sinto, assim, adolescente.

Diziam. Dizias. Demoradamente sentia que o calor dos dedos te inundava em conflito e nenhuma ternura ou sorriso nos devolvia um futuro de velhice transparente e cantado. Demoradamente sentia o medo a chegar.
A velhice escapava na cidade e nas pessoas e na sombra das teclas. Isoladas no oceano. Demoradamente sentia a velhice a crescer, aceitando que todos os homens me temiam, pois fui eu o único em que a promessa se isolava na sombra das teclas.
No oceano. Ontem sabia-te, hoje és apenas desconforto onde me inclino e espero, onde irás conhecer o teu novo nome, onde o amor e o amador são o mesmo, em silêncio, isolados, na velhice em crescendo, de um oceano.
Diziam. Dizias.

E hoje que é aquele dia, tenho a tua memória cravada nos dedos e o cheiro do mar confuso, para onde olho, confortavelmente confuso, enquanto espero que a velhice me deixe novamente sonhar. Hoje que é aquele dia, a paixão encontra-me já velho, dobrado em solidão, com a boca isolada e o teu toque estendido, a meu lado, à espera.

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