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terça-feira, maio 20, 2008

Ao que parte

Traça-se uma linha viva tão imediata e lenta como um início de universo. Cheia de substância e nomes enlaçados, tranquilos tesouros, anuências azuis de um flexível respeito. Anda-se sobre a imprecisa linha, que de ver uns morrem e na imobilidade do tempo, outros nascem.
Nada fora dito antes da linha, porquanto o esquecimento devora o que não é linha e cresce nela uma nova consagração, um alvor na matriz do devir.
É assim que somos livres quando nas ruínas de uma cidade esquecida,
o passado, o presente, o futuro,
são uma linha por traçar.

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