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terça-feira, dezembro 25, 2007

Travessia em tempos maduros

Inclinado sobre o volante, esperei por um gesto teu. Um pálido toque, um acorde.
Na volta do farol, o vento toldou-me a vontade. Uma vontade irrepetível até este inútil momento. Roí o esmalte e engoli em seco, pois o relógio não parou na noite. A noite em que os anjos se deleitaram com o tremor dos nossos corações. O peso dos deuses sobre os corpos fracos, imberbes.
Foi aí que me calaste sem subtileza. Paraste o fluir do sangue, o escorrer do negro sangue.
Deixa-me ouvir, com o teu sorriso imperativo e metálico. Eu deixo.

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