Deep Purple
"Não é para mim", disseste.
Vou-te inteirar deste modo. Quero apenas que sintas a tonalidade das palavras. A sua sabedoria. O texto és tu, sem o teu sentido. Apenas força e ira, dentro dos vasos ramificantes da criação do teu ser. É a garra, a opulência das palavras e um querer desmedido. As estações graves e infinitamente inalteradas de ti. Em ti. É o titubeante Grrrrrr que soltas ao desespero do vento. Mais um som e emudeces os meses que respiram por ti . É o bafio rápido da desordem criada em torno dos demais. Somos todos demais. Desconexos, infatigáveis, inacabados seres. Mais e mais vão brotando do tempo.
És o texto escrito quotidianamente com a soltura da memória presa. Pára o sangue de correr, inocente sangue parado. És uma fonte solar, um ermo de ensinamentos perpetrados pelo tic-tac das obrigatoriedades escusas.
O contexto. Serve-lo morno, com a tua cabeça musical. O pedaço de ti com o teu sentido dentro. O humanamente inaudivel, sensorial, que espalhas em gestos e ensinas ao sol. No céu podes tecer nuvens violetas com notas musicais. Toda a tua alegria, bordada a silêncios velozes. És um lugar de esplendor virgem cujo nome estremece nos dedos e se lê na tua pele morena.
Tenho presente a imagem de ti. Fitavas o mar ansiosamente. Destruia-lo com o teu amor, por cima dum desespero fulminante. Ele esperava por ti, em todo o teu esplendor. Absorto contigo, apenas teu. És uma paixão bárbara, uma leve doçura de campo melancólico. Mistura de senhora e criança em mulher feita deusa. És o enigma do verão, aquele cujo amor te prende um fechar de olhos mais enebriado.
Nasces dos pés, ou das folhas, és uma canção inocente e anunciada. Temo-te. Os demais temem-te os passos, querem beber de ti, das tuas lágrimas, da tua suavidade. Estrangulas a beleza com a eternidade de ti. Na teu corpo exaltado.
E o meu pensamento quente está agora contigo.
Música de fundo - Max Richter - Bach Shadow
Vou-te inteirar deste modo. Quero apenas que sintas a tonalidade das palavras. A sua sabedoria. O texto és tu, sem o teu sentido. Apenas força e ira, dentro dos vasos ramificantes da criação do teu ser. É a garra, a opulência das palavras e um querer desmedido. As estações graves e infinitamente inalteradas de ti. Em ti. É o titubeante Grrrrrr que soltas ao desespero do vento. Mais um som e emudeces os meses que respiram por ti . É o bafio rápido da desordem criada em torno dos demais. Somos todos demais. Desconexos, infatigáveis, inacabados seres. Mais e mais vão brotando do tempo.
És o texto escrito quotidianamente com a soltura da memória presa. Pára o sangue de correr, inocente sangue parado. És uma fonte solar, um ermo de ensinamentos perpetrados pelo tic-tac das obrigatoriedades escusas.
O contexto. Serve-lo morno, com a tua cabeça musical. O pedaço de ti com o teu sentido dentro. O humanamente inaudivel, sensorial, que espalhas em gestos e ensinas ao sol. No céu podes tecer nuvens violetas com notas musicais. Toda a tua alegria, bordada a silêncios velozes. És um lugar de esplendor virgem cujo nome estremece nos dedos e se lê na tua pele morena.
Tenho presente a imagem de ti. Fitavas o mar ansiosamente. Destruia-lo com o teu amor, por cima dum desespero fulminante. Ele esperava por ti, em todo o teu esplendor. Absorto contigo, apenas teu. És uma paixão bárbara, uma leve doçura de campo melancólico. Mistura de senhora e criança em mulher feita deusa. És o enigma do verão, aquele cujo amor te prende um fechar de olhos mais enebriado.
Nasces dos pés, ou das folhas, és uma canção inocente e anunciada. Temo-te. Os demais temem-te os passos, querem beber de ti, das tuas lágrimas, da tua suavidade. Estrangulas a beleza com a eternidade de ti. Na teu corpo exaltado.
E o meu pensamento quente está agora contigo.
Música de fundo - Max Richter - Bach Shadow

