Diário de um tonto #2
Talvez hoje me lembre como é bom o escorrer de uma lágrima. Imagem 3D de um amor repulsivo que se esconde no teu imaginar. Talvez hoje me reconheça quando uma figura estilizada me acenar ao espelho, sempre tão vaga como os pirilampos no início da primavera. Incandescentes e sombrios. Hoje é o dia que me lembro de um primeiro afagar de saudade ao que já foste para mim - tudo, diria alguém que não eu - de entre as nossas sombras de mão dada. Lembro-me bem, acredita. Recordo o tempo que o sol nos calava essa lágrima, essa metonímia de amores e horrores mal embevecidos. Estou aqui, e aqui, e aqui. Omnipresente, como me querias. E tu, abandonaste o navio pela proa? Talvez ainda hoje me lembre, antes do último suspiro, o quão fugaz foi aquela nossa vida. Aquele nosso encontro.
Pretendo lembrar, ainda hoje. E sempre.
Pretendo lembrar, ainda hoje. E sempre.

